Partido dos Trabalhadores Carioca

A história do Partido dos Trabalhadores tem seus passos iniciais no dia 10 de fevereiro de 1980, quando ainda se mostravam latentes as marcas deixadas pela Ditadura Militar. Momento marcado também pelas esperanças do povo brasileiro, cada dia maiores, por novos rumos em direção à democracia, e que vislumbrou no Partido dos Trabalhadores um dos principais instrumentos de viabilização dessa transição.

A ascensão foi meteórica! Logo o povo mostrou de que lado estava e decidiu que os seus representantes a integrar as esferas de poder deveriam ser líderes populares, à sua semelhança. Homens e mulheres, pretos e pobres, começaram a ter vez, e sua posição reafirmada no cenário regional e nacional.

Na cidade do Rio de Janeiro o cenário não foi diferente. Em sua estreia nas eleições municipais, o Partido dos Trabalhadores conseguiu eleger a primeira mulher negra e oriunda da favela para assumir o cargo de Vereadora – Benedita da Silva, junto com Eliomar Coelho. Benedita da Silva, gigante por si só, traçou lutas contra o racismo social e institucional que permeia nossa cidade e as instituições de poder. Teve papel fundamental como porta-voz de inúmeras pessoas até então esquecidas e marginalizadas pela sociedade fluminense. A grande adesão de parte do eleitorado carioca permitiu ao PT traçar rumos até então inéditos.

Em abril de 1984 o movimento pelas “Diretas Já”, que mobilizou e transformou o cenário político-social do Brasil, contou com a participação militante do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro em prol da abertura política nacional e da garantia de direitos fundamentais ao nosso povo.

Em 1986 ocorrem as eleições gerais para escolha dos parlamentares que integrariam a Assembleia Constituinte para a elaboração de uma nova Constituição Federal. No Rio de Janeiro, os eleitos pelo Partido dos Trabalhadores para representar a população fluminense na Câmara dos Deputados foram Benedita da Silva, mais uma vez a voz das favelas e do povo carioca, e Wladimir Palmeira. 

Em constante ascensão, resultado de todo o trabalho até então realizado, o PT conseguiu outro feito nas eleições de 1988 - dobrou o número de cadeiras na Câmara Municipal do Rio.

Entre comícios, passeatas, manifestações e muito trabalho de base, a década de 1990 foi marcada pela disputa acirrada pela Prefeitura da cidade quando as eleições passaram a ser realizadas, pela primeira vez, em dois turnos. Benedita da Silva foi a mais votada no primeiro turno e avançou para o segundo turno, perdendo por apenas 100 mil votos para César Maia. Apesar de não lograr êxito, o Partido não parou de lutar pelos interesses do povo carioca.

E foi nessa toada que o PT conseguiu eleger Benedita como a primeira Senadora negra e de origem periférica, pelo Estado do Rio de Janeiro, com mais de dois milhões de votos. Foi o projeto de Benedita que garantiu aos trabalhadores domésticos o acesso a direitos até então negados à categoria, como o seguro-desemprego, FGTS e a regulamentação da jornada de trabalho.

Em 1998, Benedita se afasta do Senado Federal para disputar as eleições ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, ocupando o cargo de vice-governadora. Foi uma aliança política até então inédita, que contou com a reunião de todos os partidos progressistas do país e culminou com a sua eleição como vice-governadora do Estado do Rio de Janeiro, abraçada pelo eleitorado fluminense.

Em sequência, com a renúncia de Anthony Garotinho para concorrer às eleições presidenciais de 2002, Benedita se torna a primeira mulher, negra, governadora do Estado do Rio de Janeiro.

Depois de quatro derrotas, em 2002 Lula se elege presidente da República com a maior votação já obtida por um candidato até então. O governo Lula concretizou projetos sociais importantes, como o “Minha Casa, Minha Vida” que alcançou notoriedade internacional e ganhou o prêmio The British Expertise International Awards, pelo avanço da sustentabilidade na habitação social, consagrando o Brasil como uma das referências internacionais no tema.

​A população fluminense vivenciou grandes momentos até que, em seu segundo mandato, a presidenta Dilma Rousseff foi vítima do golpe de 2016. Mesmo golpeado, o PT continuou firme na luta em favor do povo. O processo de reconstrução de uma candidatura de esquerda para a Prefeitura do Rio desaguou no apoio à deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB,  nas eleições de 2016.

Em 2018, seguimos na luta contra a onda extremista que passou a assolar o país e fizemos uma grandiosa campanha no Rio de Janeiro para o nosso candidato Fernando Haddad. Apesar dos inúmeros comícios, manifestações e passeatas o esforço engendrado não foi suficiente para superar a onda fascista que tem ameaçado a democracia brasileira.

Com a eleição da nova Direção Municipal em 2019, e a presidência de Tiago Santana, o PT Carioca voltou a atuar ativamente nas ruas. A candidatura de Benedita para a Prefeitura, em 2020, é abraçada pela militância e encontra enorme respaldo popular. Foi nesse cenário que o Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro conseguiu aumentar sua bancada na Câmara Municipal elegendo três vereadores - Tainá de Paula, Reimont e Lindbergh Farias.

O PT Carioca segue seu processo de reconstrução ao lado do povo, dando voz às camadas mais pobres da cidade. Hoje, podemos afirmar que estamos no caminho certo para buscar, cada vez mais, melhores condições de vida para a população, pensando a cidade do Rio de Janeiro pelo olhar das minorias, sempre com a participação ativa da população.

Texto: Caio Romero, historiador pela UERJ e militante do PT.