Buscar

Uma Rainha Negra no Pantanal


“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais, Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava à risca, sem apelação nem agravo.” - (Anal de Vila Bela do ano de 1770). Tereza de Benguela é a figura que representa o 25 de Julho no Brasil, Dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha. Ela foi a liderança do Quilombo de Quariterê durante o século XVIII. Tereza viveu durante o século XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso, e foi a maior liderança do Quilombo do Quariterê, hoje município de Vila Bela da Santíssima Trindade, há mais de 500 km da capital do estado, Cuiabá.

Tereza foi quem coordenou o maior quilombo do Mato Grosso, que resistiu às ações de bandeirantes por mais de 50 anos. Em 1795, o espaço foi atacado e destruído, a mando da capitania regional. As decisões tinham a participação do seu companheiro, José Piolho, assassinado por soldados do Estado. Foi no território do Quilombo do Quariterê – que abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presença de negros e indígenas – o local onde Tereza liderou um forte sistema de defesa e criou um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos. Não se sabe também como foi a morte da líder quilombola. Há uma versão que conta sobre um possível suicídio depois de ser presa por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma que Tereza foi assassinada e teve a cabeça exposta no centro do Quilombo. O que se sabe é que alguns quilombolas conseguiram fugir depois do ataque dos bandeirantes e reconstruir o espaço, que foi novamente vítima de ação da capitania do Mato Grosso em 1777 e dizimado de maneira definitiva em 1795. Mesmo sem a Rainha Tereza e o Quilombo do Quariterê, a história é muito presente no imaginário da região, onde a oralidade garante a permanência do mito de Tereza de Benguela. Entre os relatos, alguns moradores da Vila Bela da Santíssima Trindade contam que ela navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. Ela também foi eternizada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremiação de 1994, cujo título é “Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal”. Em 2 de junho de 2014, Dilma Rousseff sancionou a Lei Nº 12.987, que instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, a ser comemorado, anualmente, em 25 de julho. No ano de 2020, a deputada federal Benedita da Silva foi relatora do projeto de lei para Homenagear Tereza de Benguela, dando o seu nome ao corredor de acesso do Plenário da Câmara dos Deputados. Fonte: https://www.almapreta.com/editorias/realidade/tereza-de-benguela-a-lideranca-negra-brasileira


35 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo